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Recuperado total corrigido: porque o RTC é a melhor forma de medir a eficiência da usina?

 

A eficiência de uma usina que destina grande parte de sua matéria prima para a produção de açúcar é comparável a outra em que o mix de produção é mais voltado à produção de etanol? E se a usina, tradicionalmente açucareira, respondendo a sinais de mercado inicia a produção de etanol por conta dos preços mais competitivos? Como comparar, de maneira eficiente e sem viés, o rendimento entre safras? Essas e outras perguntas, tão frequentes no cotidiano das unidades, são tratadas neste artigo. 

 

Por definição, rendimento é a quantidade de um item produzido por unidade de matéria-prima processada. Já a eficiência demonstra a proporção do que foi produzido em relação ao que se tem disponível. Em outras palavras, é chegar ao melhor resultado com o menor custo possível. No caso da usina, sua eficiência é medida pela análise de parâmetros industriais, computados a partir de fórmulas matemáticas, cujo resultado é um indicador. Dentre os possíveis indicadores utilizados, destaca-se o Recuperado Total Corrigido (RTC) e a Eficiência Geral da Indústria (EGI).

Indicadores de eficiência: RTC ou EGI?

Muitas usinas ainda utilizam o indicador de Eficiência Geral da Indústria no processo interno de gestão e acompanhamento. O uso deste indicador não apresenta grandes problemas nos casos em que a usina mantém o mix de produção estável, ou ainda nas situações em que se deseja comparar unidades que pratiquem um mesmo mix de produção. Contudo, em virtude das frequentes alterações nos preços de mercado e, consequentemente, na variabilidade do mix de produção em uma usina, e ainda entre diferentes unidades, o uso do EGI como indicador de eficiência pode gerar um viés de análise, comprometendo a precisão de medição da eficiência em uma usina ao longo do tempo ou entre unidades distintas em um determinado período. Isso se deve ao fato deste indicador apontar maior eficiência para a produção de açúcar em detrimento do etanol, ainda que a eficiência seja a mesma nas duas condições. É nesse contexto que as usinas que primam por utilizar dados confiáveis e precisos sobre seus processos não hesitaram em adotar o Recuperado Total Corrigido (RTC) como indicador de eficiência.

O RTC é calculado com base na produção de açúcar e etanol (output) e a quantidade de açúcar contido na cana (input). Especificamente, este indicador está relacionado a uma série de parâmetros relacionados às perdas na indústria, podendo estas serem classificadas entre determinadas ou indeterminadas. Nas perdas determinadas são analisadas as águas (lavagem de cana, de esteira, multijatos e limpeza), o bagaço, a torta e o processo de fermentação. Já no conjunto das perdas indeterminadas estão a destruição de açúcares, erros de medição, perdas em decantadores, entre outros. Nesse sentido, diminuir as perdas é um ponto chave dentro da usina e torna-se uma estratégia fundamental para evitar prejuízos financeiros e manter a unidade industrial competitiva.

RTC e benchmarking

O benchmarking é o processo comumente adotado para comparar produtos, serviços e práticas de negócio. No setor sucroalcooleiro, esta ferramenta se tornou prática comum para comparar os parâmetros de uma usina a cada safra, bem como sua condição em relação às concorrentes. Segundo o coordenador industrial do Benri Ratings, Luiz Francisco Silva (Kiko), nas duas últimas safras, o mix mais alcooleiro inviabilizou uma análise da evolução da usina pelo EGI: “para a usina saber como ela está em relação às outras unidades na sua região, por exemplo, precisa utilizar o RTC. Dado que o mix pode estar ora açucareiro, ora alcooleiro, o RTC oferece a segurança de retratar uma comparação fidedigna. O mesmo não ocorre com o EGI, que se eleva quando o mix é açucareiro e declina se a usina passa a produzir mais etanol, independente da eficiência efetiva do processo”, explica Kiko.

Fazer a transição do EGI para o RTC não requer nenhuma alteração no processo, apenas na fórmula de cálculo. “A estequiometria (cálculos baseados em reações químicas) do açúcar extraído da cana e destinado a indústria alimentícia é diferente daquela referente ao açúcar que será convertido em combustível. Com uma medição correta, a usina avança e consegue obter resultados cada vez mais satisfatórios”, conclui Kiko.

 

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