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Plantio mecanizado vale a pena?

O plantio mecanizado acompanhou com um hiato temporal e tecnológico a evolução da colheita mecanizada. No entanto, se hoje a colheita está 100% mecanizada e consolidada, o plantio mecanizado está com sua participação bem menor. Atingiu seu pico na safra de 2015/16 de 77% da área de cana plantada pelas máquinas. Sob a justificativa de redução de custos e melhor qualidade do plantio, algumas usinas estão retornando ao antigo Método Inter-rotacional Ocorrendo Simultaneamente, a chamada Meiosi. Mas o auditor do Benri Ratings, Otávio Tufi, alerta que tão importante quanto pensar em economia, é levar em conta os riscos envolvidos ao abrir mão do plantio mecanizado, apesar das limitações existentes nos equipamentos hoje disponíveis, como o excessivo consumo de mudas, danos em gemas e a possibilidade de uma maior porcentagem de falhas. Por exemplo, na América do Norte, que não é referência na produção de cana-de-açúcar, hoje a metodologia de plantio mecanizado com canas inteiras lá aplicada, gera resultados satisfatórios.

 

A meiosi consiste em plantar cana em linhas mães e manter alguns sulcos entre elas. Nestes sulcos podem ser plantadas outras culturas, como soja, amendoim e adubos verdes, que trarão benefícios na fertilidade dos solos, deixando-o mais adequado para receber as mudas de cana cultivadas nas linhas mãe. A metodologia da meiosi teve seus principais momentos de expansão com o advento do georreferenciamento, que permitiu a determinação exata das ruas mães, e com possibilidade do uso das mudas pré-brotadas (MPBs), tecnologia que permite a adoção de material reprodutivo com sanidade garantida, além de permitir uma velocidade maior na adequação varietal das unidades.

Curva de aprendizado do plantio mecanizado e falta de mão de obra

Voltar a usar a meiosi traz implicações diretamente relacionadas à mão de obra empregada no setor canavieiro. A curva de aprendizado do plantio mecanizado foi iniciada há 20 anos com uma evolução de todo o processo, desde o preparo do solo, melhorias tecnológicas nas máquinas, etc. Portanto, as usinas que abrirem mão integralmente da mecanização perderão 20 anos de aprendizado e gastarão muito tempo e recursos para o reaprendizado.

Contratar trabalhadores para fazer o plantio pode ficar mais barato, a princípio, mas Otávio Tufi destaca que, por ser uma atividade sazonal e contar hoje com uma mão de obra em número suficiente, há risco de faltar gente para plantar nas próximas safras. Uma perspectiva de melhora na economia pode gerar ainda mais insegurança “quando eu trabalhava em usina, há 30 anos, havia 5 mil trabalhadores na agrícola. Com o lançamento do Plano Cruzado, muitos foram para a construção civil e perdemos metade deles. Se daqui um tempo o PIB do Brasil ficar positivo em 3% ou 4% corremos o risco de passar por essa evasão de mão de obra e a usina terá um alto custo para recuperar o aprendizado do plantio mecanizado, com compra de equipamentos e treinamento de pessoal”, explica Tufi.

Atenção aos riscos é fundamental

Por isso, mais importante do que olhar para a redução de custos é ter no radar os riscos envolvidos. “Hoje se discute muito se a produção por hectare é maior com a meiosi ou com plantio mecanizado, qual método garante um canavial mais longevo, entre outras questões, mas a partir do momento que as etapas do plantio mecanizado são bem conduzidas parte dos riscos são mitigados. Portanto, a palavra chave é planejar, tomar as decisões dentro de um equilíbrio, de um bom senso, com olhar atento a todos os riscos e, por que não, desenvolver as duas metodologias simultaneamente. Evitar um pensamento imediatista e buscar excelência no seu processo, tornam as chances de comprometimento do cronograma de plantio remotas”, conclui o auditor do Benri.

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